My Inner Demons

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Inner Demons...Agora muito mais INNER e com DEMONS plus!!!mas ainda de pessoas 347-E para quem tiver disposição para ler!
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:: terça-feira, maio 27, 2003 ::

O único amigo

Passava de ônibus por uma avenida qualquer da cidade, a certa altura olho pela janela do coletivo e avisto um dos inúmeros catadores de papel da cidade, com seu carrinho abarrotado de quinquilharias e afins descartados pelos outros cidadãos da metrópole. Na realidade o que me chamou a atenção não foi o catador em si, mas seus companheiros de labuta. Pelo menos 5 cães rodeavam o rapaz, com seus rabinhos balançando e tudo, de fazer inveja a qualquer cidadão mediano (caninamente falando, óbvio). Parei pensando na cena, que não possuía nada de irreal ou surreal, porém despertara em mim um momento de reflexão.
Analisemos novamente, um reciclador compulsório, rodeado por 5 vira-latas. Provavelmente o sujeito não possuía uma casa, tão pouco os cães possuíam cestinhas de dormir, não possuía entretenimentos nem fartura de comida imagino e seus cães certamente não contariam com bolinhas de borracha ou ossos postiços comprados na pet shop da esquina. Nem coleira antipulgas. Nem as vacinas regulares (provavelmente nenhum dos seis as teria tomado). Muito menos banho e tosas.
Enfim, aquele cara não tinha nada a oferecer aos cachorros, conforto, dinheiro, passeios em manhãs ensolaradas pelo Ibirapuera, condições sanitárias satisfatórias, de repente nem comida, mas os cães estavam ali, presentes, certamente imaginando que aquele era o maior sujeito já nascido nesse mundo, seu principal amigo e guardião.
Aprendamos com os cães então, o desprendimento dos valores socioeconômicos, quem é amigo de quem, quem é fulano, o quem tem cicrano ou onde é a balada da moda...Sejamos apenas companheiros, despidos de interesses e futilidades.



Rob

Enquanto escrevia esses textos deixei rolando atrás de mim o filme Alta Fidelidade. Acho que todos deveriam assistir...É tão vida real o filme que você pode achar fragmentos da sua personalidade em todas personagens e vislumbrar situações que se você não passou ou está passando ou ainda passará. Com certeza.
Rob, o anti-herói do filme procura durante toda a fita entender seus sentimentos e ainda por cima tenta compreender as pessoas que o rodeia. Podemos ver todos os tormentos mentais pelo qual passa o cara nessa batalha até a história ter um desfecho. Impossível não se identificar. Rob é um cara bem puro, tem uma loja de discos e realmente o que procura é equacionar seus sentimentos, encontrar a tampa da panela, se me permitem a expressão. O que impressiona na realidade no filme é o momento em que ele descreve quais são as coisas que ele mais gosta na namorada...São as sutilezas e coisinhas mínimas que ele dá mais valor, ou seja, o jeito que ela ri, como ela anda, sua personalidade, seu cheiro, seu gosto....Tenho passado por um processo semelhante nos últimos tempos, reparando nas coisas pequeninas, as coisas que são realmente importantes, que constroem a felicidade tijolo a tijolo, não importando o tempo que isso leve, chova ou faça sol. O efeito disso é que eu tento mostrar a todo mundo esse lado da moeda...o que nem sempre é bem compreendido ou aceito prontamente.




My inner crows

Consideremos assim, não sou a pessoa mais privilegiada intelectualmente nesse mundo. Tão pouco culturalmente atingi minha maturidade ou plenitude, no entanto tenho a virtude ou defeito de pensar muito em mim e nos outros, tentar entender a dinâmica dos que me cercam, tentando achar a face de Deus em cada situação apresentada a mim, e procurando a razão ou o confortável conformismo de uma situação especifica. Enfim citando uma pensadora compulsiva, sendo a porra de um ser humano, tentando ser mais humano e menos porra. Nessa aventura ao centro do meu universo me identifiquei com a história de Prometeu, que contrariando a recomendação de Zeus, entregou aos homens o fogo e foi condenado a ter seu fígado comido pedaço a pedaço, diariamente por toda a eternidade por corvos, pode ser que minha erudição tenha me pregado uma peça e a mitologia não seja necessariamente essa, porem acho que eu cheguei bem perto, alguém algum dia já teve seu fígado devorado por corvos e tenho dito.
Voltando a mim, que descontada minha auto estima afetada é o que interessa nesse espaço, penso que sou uma espécie de Prometeu. Sinto, sinceramente, que todo dia um pedaço do meu fígado é consumido pelos meus inner crows, como parte de uma punição ou algo assim, porém não consigo visualizar as razões deste flagelo. O alimento desses corvos provêm exatamente do que eu citara a cima, essa necessidade de ver o filme e entende-lo, essa vontade de ser surpreendido positivamente, essa compulsão por criar expectativas e não serem atendidas, a esperança de não ser o único da minha espécie e a ilusão de que um dia as pessoas, pelo menos as mais significativas para mim, conseguirão olhar para trás e depois para mim e secretamente me confidenciarem “Psiu, Linnus, acho que você tinha razão...” Pode parecer masoquismo, de repente até pode ser que seja, sabe-se lá, não tenho um diploma que me permita tirar esse tipo de conclusão, mas na realidade esses corvos estão me consumindo, tento abandona-los, tento pelo menos explicar meus pontos de vista, recebo portas na cara como resposta. Tento mostrar que a vida sob minha ótica é mais do que o que você quer ver, é mais densa, mais rica, mais humana apesar das pessoas que tropeçam em durante nossa jornada. Poderia no mínimo ser mais emocionalmente relevante, menos fútil e descartável nesses termos, menos ridiculamente superficial e fútil. Mas você não quer ver, você não pode mudar sua diretriz, acima de tudo você não pode dar razão.





:: Alexandre Sigolo 1:18 PM [+] ::
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:: segunda-feira, maio 26, 2003 ::
BLOG SUSPENSO TEMPORARIAMENTE

Suspendi temporariamente os textos. Sinto-me um tanto travado para escreve-los, tive algumas experiencias negativas esses dias e não vejo uma perspectiva muito clara de escrever um texto mais tranquilo como os que eu tinha em mente.
Logo mais deverei postar alguma coisa...
:: Alexandre Sigolo 1:19 PM [+] ::
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