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:: sexta-feira, dezembro 12, 2003 ::
Qualé neguinho, qualé me diz!
Ueba! Voltei a escrever aqui...não necessariamente por uma questão de calmaria externa encontrei tempo de escrever, tão pouco deixei de escrever por calmaria interna, o que sucedeu é que life is peachy my brotha e ta bem difícil conciliar tudo o que rola dentro e fora dos meus planos. Pois bem estive também me adaptando a vida nova, morando com outra pessoa e ao mesmo tempo morando sozinho, ok dependendo do ponto de vista ambas as coisas podem estar acontecendo ou podemos interpretar no sentido literal mesmo. Uma das primeiras coisas que chamam a atenção quando se sai de casa, após a ira consumista da liberdade é que tem vários momento que me sinto muito só...sem aquela retaguarda entendeste? Depois vou levando a vida, como sempre fiz, acordando, pensando, tomando café, pensando, indo trabalhar, pensando, pensando a exaustão e volto pra casa, obviamente pensando dentro do ônibus tétrico (no sentido de tétris, aquele dos quadrados) e chegando em casa, pegando o chinelo e sentando confortavelmente no sofá, aproveitando esses momentos no recém fundado lar para pensar. Após o torpor inicial vem o primeiro mês de contas, quando a carruagem vira abóbora e caí meio que na real, fodeu to sozinho. É bem complexo esse sentimento de quem é muito apegado ao quarto que viu você crescer, presenciou cenas impublicaveis e sentiu seu corpo, te acolheu, carinhosamente sobre o tapete naqueles finais de tarde de domingo, com a janela aberta mostrando as estrelas e pacientemente tolerando meu pensar.
Depois de um daqueles dias muito merda mesmo, daquele que tem-se a impressão que hoje sim rolou um complô de deuses contra minha pessoa chega o momento da redenção, da purificação, aquele momento que eu rezara o dia todo após passar boa parte dele a 50 cm da minha chefe mostrando, cientificamente, como eu sou incompetente cientificamente, de passar pelas portas do céu, onde meus pecados seriam finalmente perdoados e eu me tornaria novamente um homem. Cruzei a tal por, uma porta dupla, meio vidro, meio lata, inteira suja e sento-me devaneando próximo ao cobrador sobre como tudo aquilo deveria ser esquecido, jurando a mim mesmo que naquele dia não mais pensaria, não mais pensaria em nada daquilo, enquanto a sucessão de rotatórias me cuspiam de um lado a outro das minhas acomodações coletivas. Pensava apenas em chegar em casa. Porra, mas qual casa? Devo descer no ponto final, pegar o metro e outro ônibus ou descer no final trocar o cd e andar, subir, descer, virar, apertar o botãozinho branco e redondo? Bem escolhi a opção B, geograficamente mais próxima, pois na opção A percebia que também já não era mais meu lugar, sei lá esse tipo de coisa se percebe quando se vai ao banheiro e não se sente mais tão a vontade quando se sentia antes. Parece mais como estar no banheiro do trabalho, talvez até menos intimo com aquele. Abri a porta, percebi mais uma coisa, uma pequeneza que demonstra o mais legitimo - esse é o lugar que substitui sua casa – quando vi que as mesmas coisas que eu deixei a uns dias atrás pelo lugar ainda estavam lá, nem um dedo mais distante, nem um centímetro mais perto, justinho no mesmo lugar fazendo uma ilha sem pó no meio da casa.
O quadro é este então, não me sinto em casa no lugar geograficamente mais próximo, porém é este lugar que faz as vezes de lar, não tenho mais o lar geograficamente mais distante, alias um cara de 60 cm de altura fez uso capião do meu quarto, o único lugar na galáxia que era MEU, logo estou tendo uma crise de identidade e umas sensações estranhas, pode ser que seja só os reflexos das minhas invenções culinárias, não sei, qualquer coisa te aviso mais tarde.
Book of the month
Estou lendo Portas da Percepção do Huxley, aquele que escreveu Admirável Mundo Novo, livro que todo mundo já ouviu falar mas nunca teve a decência de tacar os olhos na brochura. Muito boa a obra, tem várias passagem que eu parei pra refletir, mas a primeira que eu citaria é esse lance de casa. Estamos sempre sozinhos, dentro da nossa casa que é nossa mente, sozinho e tentando trazer alguém pra dentro ou ir pra dentro de outra mente para não mais sentir solidão. Que treta né?
Outro ponto que me deu um tuim esses dias, que não está contemplado no livro é o lance de musa inspiradora. Veja só, inspiração não é algo que se colha como uma bela maça vermelha, é, no entanto um parto a fórceps, onde a tal musa é a parteira. Daí um sujeito cheio de boas idéias e pouco goforit até queria produzir algo, tem uma ideinha aqui, outra acolá mas chega esse ser e o sujeito tem que escolher entre a total insignificância artista ou a pequena satisfação pessoal acompanhada de dosas cavalares de um sofrimento que chega a ser masoquistico (se é que existe tal palavra).
you and me are a disease, and the germs are spreading, use me like listerine, keeping your breath freasher...
:: Alexandre Sigolo 11:11 AM [+] ::
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